Fomos passear nas ladeiras da Sé. Luiz queria bater fotografias. Diferente do que eu imaginara, para um primeiro e talvez único encontro Luiz me pareceu um rapaz sem preocupação com vaidade. Trajava a mesma bermuda e camiseta da foto do MSN e um chinelo de dedo. Um boné na cabeça que não me permitiu, até a despedida, conhecer de todo a sua silhueta. Unhas por cortar.
Pareceu-me desconfortável nos primeiros momentos. Evitava me olhar nos olhos e aquelas conversas interessantes do chat cederam espaço à um silêncio desconcertante. Deixei que minha espontaneidade conduzisse a situação e tomei conta da conversa como se fôssemos amigos de outrora. Sobe e desce ladeira, tratei o turista com simpatia e hospitalidade. Bati suas fotos, falei da cidade, contou-me um pouco de sua vida fora do Brasil. Em síntese, pude entrever naquelas palavras que aquele rapaz nada tinha a ver com o que eu construí a partir da conversa no chat. É possível uma amizade a partir de agora? Aprendi que é preciso primeiro conhecer. Não me pareceu tão sóbrio e maduro quanto antes.
Deixei Luiz na porta. Não ligou pra saber se cheguei bem em casa. Era o mínimo de gentileza que poderia ter demonstrado. Não posso dizer que me arrependi, pois foi bom estar em Olinda e ver pessoas bonitas. Foi bom sair da rotina e, principalmente, realizar a vontade. O pior arrependimento é pelo que se deixou de fazer. Que bom que fiz, e agora posso dizer que Luiz não é alguém com quem me envolveria, e acredito que a recíproca seja verdadeira. As pessoas não são apenas conteúdo, são conteúdo e forma. O melhor é saber que não vou ficar idealizando e sonhando com Luiz. O príncipe não é Luiz. Talvez ele exista apenas na minha imaginação.



